V. 7 N. 1 (2026): A recepção de Ética e da Filosofia Política helenísticas na Renascença e na Modernidade
A recuperação de escritos helênicos e helenísticos, seja por traduções ou por referências diretas, foi um traço marcante da filosofia da renascença. Embora fundamentais para a arquitetura do pensamento renascentista, a recepção de clássicos como Platão, Aristóteles, Cícero e Sêneca não foi um fenômeno confinado a essa época. Ao longo dos séculos seguintes, a discussão acerca da herança do pensamento das escolas helenísticas não apenas se aprofundou, como se difundiu entre inúmeros autores da filosofia do renascimento e da modernidade, em seus mais diversos aspectos e temas de investigação. Assim, como o leitor poderá acompanhar neste dossiê, a recuperação do pensamento antigo nos séculos posteriores não se limitou à retomada da política, da ética ou da história, tampouco se restringiu à invocação dos autores clássicos como meras autoridades intelectuais. A produção intelectual helenística pôde ser igualmente notada, neste início da modernidade, por meio da recuperação de suas reflexões sobre a cosmologia, sobre a metafísica, a retórica e a dialética que foram, cada uma a sua maneira, retomadas, apropriadas e criticadas por diferentes autores e tradições nos séculos subsequentes. No presente número da Revista Lampião, reunimos artigos de pesquisadoras e pesquisadores de diversas regiões do país que traçam um retrato dessa recepção complexa, plural e por vezes contraditória. Ao evidenciar a riqueza e a complexidade das leituras renascentistas e modernas dos textos helênicos e helenísticos, as pesquisas reunidas aqui reafirmam a fecundidade de um campo que continua a oferecer instrumentos decisivos para a reflexão filosófica. Tal reflexão, como o leitor poderá notar, não se circunscreveu ao passado, mas ainda hoje permanece viva no seio das investigações de nossa área. As contribuições helenísticas, neste sentido, transcendem os limites cronológicos da antiguidade e firmam-se como teorias continuamente assimiladas na história da filosofia, seja no renascimento e no início da modernidade, seja na contemporaneidade.