Por uma pedagogia da variação para a concordância verbal na BNCC
DOI:
https://doi.org/10.28998/2317-9945.202687.107-132Palavras-chave:
BNCC, Pedagogia da variação, concordância verbalResumo
O objetivo do trabalho é analisar as diretrizes da BNCC (Brasil, 2018) para o ensino de concordância verbal a fim de verificar o compromisso do documento com uma educação sociolinguística. Partimos de Vieira (2008; 2017), Kato (2005), Faraco e Zilles (2017) Franchi (2006), Bortoni-Ricardo (2004; 2021) e Faraco (2008), dentre outros, para mapear a variação da concordância de terceira pessoa do plural no português brasileiro, para compreender o percurso para se chegar à gramática do letrado brasileiro e para pensarmos uma pedagogia da variação. Em seguida, analisamos a proposta da BNCC para o ensino fundamental e médio. Concluímos que a BNCC não abre espaço para reflexão e análise sobre a variação na concordância verbal no Ensino Fundamental. Além disso, quase não há cruzamento com gêneros textuais e situações comunicativas em que encontraríamos variação na concordância no português vernacular. No Ensino Médio, vemos que a BNCC entende que a comparação com o conhecimento gramatical do aluno é ponto de chegada, e não ponto de partida, na contramão dos estudos supracitados. Por fim, apontamos possibilidades para uma educação sociolinguística da concordância a partir da BNCC e dos pressupostos apontados, articulando análise linguística de gêneros orais, conhecimento prévio, adequação linguística e retextualização.
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