A expressão “ir de arrasta pra cima” em interações digitais: uma análise funcional-construcionista
DOI:
https://doi.org/10.28998/2317-9945.202687.288-310Parole chiave:
Linguística Funcional Centrada no Uso, Idiomatismo, Construção, [IR de arrasta (para ADVloc)]Abstract
Este artigo investiga o padrão construcional idiomático [IR de arrasta (para ADVloc)] que licencia construtos como foi de arrasta pra cima, comum em interações digitais (Simões Neto; Souza, 2023), com foco em sua descrição sintática, semântica e pragmático-discursiva. A hipótese do estudo é a de que esse padrão construcional tem natureza idiomática cuja gênese está ligada à interação digital a partir de um sentido concreto que se amplia para abarcar sentidos mais abstratos. A pesquisa está fundamentada na Linguística Funcional Centrada no Uso (Furtado da Cunha; Bispo; Silva, 2013; Bybee, 2016), a qual postula que as estruturas linguísticas devem ser examinadas em termos de sua forma e função, enfatizando que a língua serve a funções comunicativas e cognitivas. Metodologicamente, o estudo é de natureza qualitativo-interpretativa e examina 100 dados empíricos provenientes de redes sociais (Instagram, TikTok, X e Facebook). Os resultados da pesquisa desvelam que a expressão se desenvolveu a partir de um uso funcional e literal para contextos mais metafóricos, associando-se a sentidos que evocam a ideia de morte/fim e fracasso. Essa ampliação de sentidos assinala a criatividade linguística subjacente ao uso da língua pelos falantes.
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