Entre memória e deslegitimação: discursos dispersos e articulados sobre o feriado da Consciência Negra nas redes sociais
DOI:
https://doi.org/10.28998/2317-9945.202687.390-407Parole chiave:
Análise do Discurso, Ideologia, Colonialidade, Consciência NegraAbstract
Este trabalho tem como objetivo analisar discursos dispersos e articulados que atualizam memórias discursivas e produzem sentidos que tensionam a legitimidade das lutas negras no Brasil. A partir de um post no Instagram do portal g1, sobre o Dia da Consciência Negra, Partimos da noção de que o discurso é atravessado pela ideologia e pelas condições de produção (Pêcheux, 2009; Orlandi, 2015), o que implica considerar tanto os processos históricos da escravidão e da resistência negra (Moura, 2021; Nascimento, 2007; Gomes, 2006; Freitas, 1982), quanto à colonialidade do saber (Quijano) que estrutura hierarquias epistêmicas. As análises apontam que tais comentários operam como estratégias discursivas de deslegitimação, sustentadas por um imaginário social sustentado pelo discurso colonizador, que se contrapõe saberes históricos e insurgentes.
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