Provérbio e música como práticas discursivas: tocando a questão do silêncio

Autores/as

DOI:

https://doi.org/10.28998/2317-9945.202687.378-389

Palabras clave:

Silêncio, Provérbio, Música, Análise de Discurso

Resumen

Neste estudo buscamos realizar um batimento entre o provérbio Quem cala consente e a música Cálice, de Chico Buarque, tendo em vista a relação que se estabelece entre essas duas materialidades discursivas e a noção de silêncio, pelo funcionamento linguístico e simbólico do verbo calar. Nos filiamos à Análise de Discurso Materialista para responder à seguinte questão de pesquisa: “como o calar é posto em funcionamento, em relação ao silêncio, a partir do provérbio Quem cala consente e na sonoridade produzida pelo título da música Cálice?”. Metodologicamente, primeiro nos detemos no provérbio enquanto prática discursiva que funciona em diferentes condições de produção do discurso; depois, lançamos olhar para a música, da qual recortamos sequências discursivas em que o calar comparece. As considerações a que chegamos indicam que calar, no provérbio, nem sempre é consentir; e, na música, o silêncio, pela expressão Cálice, em substituição ao Cale-se!, imperativo imposto pela ditadura militar brasileira, é a resistência, uma forma de não se calar, diante do silêncio local (Orlandi, 2007).

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Biografía del autor/a

Jaíne de Fátima Machado da Silva, Universidade Federal de Santa Maria

Licenciada em Letras Português e Literatura de Língua Portuguesa pela Universidade Federal de Santa Maria. Mestra em Letras, com ênfase em Estudos Linguísticos, pela Universidade Federal de Santa Maria. Doutoranda do Programa de Pós-Graduação em Letras, área de concentração Estudos Linguísticos, Linha de pesquisa Língua, Sujeito e História. Bolsista da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES).

Citas

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Publicado

2026-04-02

Cómo citar

SILVA, Jaíne de Fátima Machado da. Provérbio e música como práticas discursivas: tocando a questão do silêncio. Revista Leitura, [S. l.], v. 1, n. 87, p. 378–389, 2026. DOI: 10.28998/2317-9945.202687.378-389. Disponível em: https://periodicos.ufal.br/revistaleitura/article/view/20016. Acesso em: 6 abr. 2026.