Provérbio e música como práticas discursivas: tocando a questão do silêncio
DOI:
https://doi.org/10.28998/2317-9945.202687.378-389Parole chiave:
Silêncio, Provérbio, Música, Análise de DiscursoAbstract
Neste estudo buscamos realizar um batimento entre o provérbio Quem cala consente e a música Cálice, de Chico Buarque, tendo em vista a relação que se estabelece entre essas duas materialidades discursivas e a noção de silêncio, pelo funcionamento linguístico e simbólico do verbo calar. Nos filiamos à Análise de Discurso Materialista para responder à seguinte questão de pesquisa: “como o calar é posto em funcionamento, em relação ao silêncio, a partir do provérbio Quem cala consente e na sonoridade produzida pelo título da música Cálice?”. Metodologicamente, primeiro nos detemos no provérbio enquanto prática discursiva que funciona em diferentes condições de produção do discurso; depois, lançamos olhar para a música, da qual recortamos sequências discursivas em que o calar comparece. As considerações a que chegamos indicam que calar, no provérbio, nem sempre é consentir; e, na música, o silêncio, pela expressão Cálice, em substituição ao Cale-se!, imperativo imposto pela ditadura militar brasileira, é a resistência, uma forma de não se calar, diante do silêncio local (Orlandi, 2007).
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