Variação linguística na EJA: análise das abordagens nos materiais didáticos à luz da sociolinguística
DOI:
https://doi.org/10.28998/2317-9945.202687.133-154Abstract
RESUMO: Nunca é demais afirmar a importância da sociolinguística educacional para as atividades relativas ao ensino e à aprendizagem em língua portuguesa, ao lado de todas as contribuições teóricas que a sociolinguística variacionista registra para a concepção de língua, que consolidou a variação como um fenômeno sistemático e socialmente condicionado. Logo, considerando a fundamentação teórica postulada por Bortoni-Ricardo (2004) e por Labov (2008), este artigo se debruça sobre o ensino de língua Portuguesa na Educação de Jovens e Adultos (EJA). Para tanto, apresenta os resultados de pesquisa empírica que analisa o conceito de variação linguística em materiais didáticos utilizados no Projeto de Educação de Jovens e Adultos (PEJA), modalidade desenvolvida no município do Rio de Janeiro, na Coordenação de Educação de Jovens e Adultos ( CEJA), modalidade desenvolvida no estado do Rio de Janeiro, e no Exame Nacional de Educação de Jovens e Adultos (ENCCEJA), avaliação em esfera federal que certifica jovens, adultos e idosos na terminalidade dos níveis de ensino fundamental e médio. A análise de documentos oficiais e dos conteúdos didáticos, disponibilizados em 2023, foi guiada por sete parâmetros de reconhecimento da variação linguística cujo ponto de partida é Lima (2022), que enfatiza o papel dos materiais didáticos na construção de representações sobre a linguagem. Parte-se da premissa de que os referidos materiais devem envolver desde a valorização das experiências socioculturais dos/ das estudantes, até a incorporação de estratégias avaliativas que contemplem diferentes usos da linguagem. Os resultados revelam a ausência dos dois primeiros parâmetros, relacionados ao reconhecimento da diversidade linguística e ao acompanhamento do desenvolvimento do aluno nesse aspecto e apontam para uma presença pontual e superficial dos demais, o que nos leva a afirmar que prevalece na abordagem da variação, nos materiais analisados, restrições de abordagem, pois tratam o tema como uma unidade isolada, de mero enfoque de conteúdo, sem articulação contínua com o currículo, ou melhor, desconsiderando o conceito de variação, que é inerente a uma língua natural. Além dos autores supracitados, a pesquisa toma como base Coseriu (1980) que consolidou a distinção entre norma, sistema e fala como dimensões essenciais para compreender a diversidade linguística. A pesquisa ratifica a visão de Bortoni-Ricardo (2004), ao considerar a importância da pluralidade linguística a partir das práticas reais de fala das comunidades. Além disso, retoma a reflexão de Mello (2010), que destaca a necessidade de considerar a heterogeneidade social e cultural dos estudantes da EJA como eixo estruturante das práticas pedagógicas. Os resultados apontam para comprometimento do potencial formativo da EJA como espaço de construção de saberes linguísticos e sociais contextualizados.
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