Nossas crenças linguísticas, ‘nós não mudemos tanto’, e agora? Um estudo sociolinguístico com estudantes de São Bento do Una - PE

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DOI:

https://doi.org/10.28998/2317-9945.202687.72-106

Parole chiave:

crenças linguísticas, atitudes linguísticas, variação linguística, ensino de Língua Portuguesa, pedagogia da variação linguística

Abstract

Este artigo analisa crenças e atitudes linguísticas de estudantes do Ensino Médio de uma escola pública de São Bento do Una (PE), focalizando como os participantes avaliam e reagem a asserções sobre língua, fala, escrita, norma e prestígio linguístico, bem como as implicações desses posicionamentos para o fortalecimento de uma pedagogia da variação linguística. Metodologicamente, trata-se de uma pesquisa quantitativo-interpretativa, ancorada na Sociolinguística Educacional, desenvolvida a partir da aplicação de um questionário estruturado em quatro partes a 67 estudantes. Para fins analíticos, as asserções foram reorganizadas em cinco eixos: (i) crenças sobre fala e escrita; (ii) escola e visão normativa da língua; (iii) reconhecimento da diversidade e da adequação; (iv) autoavaliação da competência linguística; e (v) atitudes frente à variação e ao prestígio. Os dados foram processados no R, com geração de gráficos de dispersão (boxplots) para examinar tendências de concordância/discordância e padrões de variabilidade. Os resultados evidenciam a coexistência de ideologias normativas persistentes—associadas à escrita como lugar de correção, à centralidade da gramática e ao papel regulador da escola—com indícios relevantes de deslocamento, expressos no orgulho do próprio modo de falar, na valorização identitária e na emergência da adequação como princípio de competência comunicativa. Conclui-se que, embora a variação linguística figure no plano curricular, sua incorporação crítica às práticas escolares permanece desigual, demandando ações pedagógicas sistemáticas que articulem transposição didática, consciência sociolinguística e formação docente continuada.

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Biografie autore

Marcus Garcia de Sene, UPE/Garanhuns

Universidade de Pernambuco. Grupo de Pesquisa VAELP-TL

Fernando Augusto de Lima Oliveira, UPE/Profletras/Garanhuns

Universidade de Pernambuco. Grupo de Pesquisa VAELP-TL

Cíntia Karine Costa Cordeiro Torres, UPE/Profletras/Garanhuns

Universidade de Pernambuco. Grupo de Pesquisa VAELP-TL

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Pubblicato

2026-04-02

Come citare

SENE, Marcus Garcia de; OLIVEIRA, Fernando Augusto de Lima; TORRES, Cíntia Karine Costa Cordeiro. Nossas crenças linguísticas, ‘nós não mudemos tanto’, e agora? Um estudo sociolinguístico com estudantes de São Bento do Una - PE. Revista Leitura, [S. l.], v. 1, n. 87, p. 72–106, 2026. DOI: 10.28998/2317-9945.202687.72-106. Disponível em: https://periodicos.ufal.br/revistaleitura/article/view/20487. Acesso em: 5 apr. 2026.