Formas de tratamento em cartas ao diretor: um Oolhar sobre a escrita de estudantes em uma escola cívico-militar
DOI:
https://doi.org/10.28998/2317-9945.202687.195-220Parole chiave:
formas de tratamento, variação linguística, escola cívico-militarAbstract
O artigo discute o uso de formas de tratamento em cartas produzidas por estudantes do Ensino Fundamental II de uma escola cívico-militar, à luz das relações entre linguagem e contexto sociocultural. O objetivo geral é investigar como os alunos se dirigem ao diretor, analisando a influência de fatores sociais e institucionais nas escolhas linguísticas. Para tanto, adota-se uma abordagem sociolinguística baseada na análise de 162 cartas de estudantes do 6º ao 9º ano, a partir de uma proposta de escrita para a produção de uma carta de solicitação destinada ao diretor, sem orientação prévia sobre o gênero textual ou o uso de formas de tratamento. Os resultados revelam ampla variação nas formas empregadas, com predominância de tratamentos formais, embora se observe presença significativa de informalidade, evidenciando tensões entre as normas e as práticas linguísticas cotidianas. Verifica-se que o uso de termos gramaticalmente mais formais tende a aumentar conforme o avanço da escolaridade e também se relaciona diretamente à adesão dos estudantes ao modelo cívico-militar, pois aqueles que não se identificam com esse modelo recorrem com maior frequência ao tratamento informal. Compreende-se, então, que as escolhas linguísticas dos estudantes extrapolam o domínio gramatical, refletindo posicionamentos e identidades frente ao contexto escolar. O estudo destaca a relevância de compreender a variação linguística como prática social situada, contribuindo para a análise das relações entre linguagem e construção da identidade no contexto educacional.
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