Formação de Professores de Libras: a sociologia das ausências e a ecologia de saberes como base teórica para uma prática docente crítica é possível?
DOI:
https://doi.org/10.28998/2317-9945.202687.464-486Palavras-chave:
Sociologia das ausências, Ecologia de saberes, Saberes surdos, Formação docente, LibrasResumo
O curso de licenciatura em Letras-Libras é relativamente recente no Brasil. Sua implementação se deu em 2006, na Universidade Federal de Santa Catarina, inicialmente na modalidade de Ensino a Distância, impulsionada pelo reconhecimento legal da Língua Brasileira de Sinais como meio legítimo de comunicação e expressão da comunidade surda, conforme estabelecem a Lei 10.436/2002 e o Decreto 5.626/2005. Este estudo articula a formação de professores de Libras à Linguística Aplicada, propondo caminhos teóricos fundamentados na sociologia das ausências e na ecologia de saberes de Santos (2020), como forma de sustentar uma formação docente crítica e consciente do papel social da língua. Parte-se do entendimento de que o ensino de Libras e a formação dos seus professores não podem ser reduzidos a um campo estritamente linguístico, pois envolvem disputas epistemológicas, políticas e culturais. Reconhecendo a Libras enquanto saber produtor de conhecimento, a ecologia de saberes surdos contribui para promover diversidade e justiça epistêmica. Nesse contexto, a formação docente pode tornar-se espaço de questionamento de paradigmas hegemônicos, valorização das experiências e saberes surdos e construção de práticas pedagógicas bilíngues e inclusivas. Assim, fortalece-se uma formação comprometida com transformação social, ampliando a participação ativa da comunidade surda na sociedade.
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