Do parasitismo e das lamúrias do bom senhor escravista

Autori

DOI:

https://doi.org/10.28998/2317-9945.202687.549-568

Parole chiave:

Antonio Candido, O direito à literatura, branquitude

Abstract

O trabalho relê criticamente trechos de “O direito à literatura”, de Antonio Candido, a partir de uma perspectiva que tenta tensionar as leituras oferecidas pelo autor do cânone como fator humanizador, tensionando-o como algo permeado por uma visão-branca, tal qual o termo cunhado por Mirzoeff (2023). Ao relermos o texto em questão, o que se espera é conseguir demonstrar como Candido consegue naturalizar certo olhar sobre o andar da história em perspectiva limitada ao ocorrido tal qual na visão eurocêntrica do mundo, na qual a criação de um mito de excelência é também aquele a reescrever em palimpsesto um sistema de subjugação da diferente a partir da branquitude. 



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Biografia autore

Fabio Pomponio Saldanha, Universidade de São Paulo (USP)

Doutorando no Departamento de Teoria Literária e Literatura Comparada (DTLLC), na Universidade de São Paulo (USP). É graduado em Letras (Português-Japonês) pela mesma Universidade. 

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Pubblicato

2026-04-02

Come citare

SALDANHA, Fabio Pomponio. Do parasitismo e das lamúrias do bom senhor escravista. Revista Leitura, [S. l.], v. 1, n. 87, p. 549–568, 2026. DOI: 10.28998/2317-9945.202687.549-568. Disponível em: https://periodicos.ufal.br/revistaleitura/article/view/20028. Acesso em: 5 apr. 2026.