Diário? Ensaio? O hibridismo textual dos diários de Lúcio Cardoso
DOI:
https://doi.org/10.28998/2317-9945.202687.529-548Parole chiave:
Lúcio Cardoso, Diários, Ensaio, Hibridismo textual, Literatura brasileiraAbstract
Este artigo analisa os diários de Lúcio Cardoso, com a hipótese de que eles se constituem como uma obra híbrida: diário-ensaio. A conjectura é resultado da observação de que a escrita íntima e a reflexão crítica se entrelaçam em um projeto literário consciente. Com base nisso, a análise identifica tanto marcas diarísticas, como a datação e a autorreflexão, quanto elementos ensaísticos, como o diálogo com a tradição literário-filosófica, o que demonstra que, longe de ser espontânea, a obra é um trabalho estético autônomo. Como instrumental teórico, utilizam-se pesquisas voltadas à diarística (Didier, 1991; Blanchot, 2005) e à ensaística (Barrento, 2010; Starobinski, 2018). Dada a divergência entre versões dos diários, recorre-se à última, organizada e revista por Ésio Macedo Ribeiro: Todos os diários (2023a; 2023b). Conclui-se, assim, que as cadernetas são o cruzamento entre o íntimo e o estético, o vivido e o elaborado.
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