ESCOLA COMO LUGAR DE DISPUTAS ENTRE PROPOSTAS PEDAGÓGICAS
EDUCAÇÃO E TERRITÓRIO
Resumen
O presente trabalho analisa como as escolas públicas, especialmente nas periferias de São Paulo, são espaços sociais marcados por disputas entre projetos pedagógicos que refletem diferentes concepções de educação, território e direito à cidade. O texto discute como práticas educacionais e currículos escolares se articulam à produção e apropriação dos espaços urbanos, transformando as escolas em atores sociais relevantes na criação de lugares e territórios. São examinadas as recentes iniciativas de implementação de escolas cívico-militares e as intervenções na gestão de escolas municipais, que evidenciam a tensão entre projetos de educação comprometidos com o neoliberalismo e propostas voltadas para a construção de uma escola pública popular e emancipatória. O estudo argumenta que as escolas podem ser apropriadas como territórios de resistência e formação crítica, especialmente quando dialogam com os territórios e as culturas periféricas. Exemplos como as ocupações escolares de 2015-2016 e projetos culturais articulados às escolas demonstram a potência das práticas educativas integradas ao território na promoção da igualdade, da solidariedade e da criação do comum. Por fim, defende-se a necessidade de um projeto popular de escola, vinculado ao ideal da Cidade Educadora, em que escola e território compartilhem um projeto formativo comum, comprometido com a transformação social e a superação das desigualdades.