O prazer na filosofia de Malebranche: um hedonismo cristão que beira ao Epicurismo
Résumé
O presente artigo tem o objetivo de analisar a obra do filósofo Nicolas Malebranche (1638—1715), na intenção de defender a tese de que ele propôs uma filosofia hedonista, muito embora cristã. Consultaremos tanto a obra filosófica do autor, como também a repercussão da mesma no contexto do século XVIII a partir do Dictionaire de Bayle. Além disso, investigamos também a biografia do autor, com o intento de compreender alguma motivação entre as suas vivências para a escolha por uma filosofia que faz apologia ao prazer. Cada abordagem diz respeito a uma parte deste trabalho, sendo a primeira delas voltada aos textos filosóficos do autor em que indicamos como ele argumenta em defesa do prazer. Na segunda abordagem, focamos em sua biografia escrita por Yves-Marie Andre (1675—1764) na busca de compreender o motivo pelo qual Malebranche recusou o estoicismo e propôs uma doutrina que podemos aproximar do epicurismo. Por fim, o objetivo é analisar a repercussão da obra de Malebranche, com ênfase no papel do prazer em sua doutrina, a partir de Bayle. Percebemos, a partir dessa pesquisa, que com base na repercussão de sua obra, na sua biografia e no arranjo argumentativo interno à sua doutrina, podemos compreender Malebranche como um filósofo hedonista.
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