Coluccio Salutati, a eloquência e a defesa da poesia como verdade

Auteurs-es

  • Raul Salvador Blasi Veyl Universidade Federal de Minas Gerais, Brasil. / Universidade de Vechta, Alemanha

Résumé

O presente trabalho busca analisar a relevância da poesia no pensamento de Coluccio Salutati, chanceler de Florença entre 1375 e 1406, destacando o modo  como o autor concebeu a eloquência e a palavra como instrumentos de formação
do homem e de consecução do projeto político e educacional do humanismo da renascença. Ao examinar suas missivas, sobretudo as cartas de 1374, 1378, 1398 e 1406, observa-se que Salutati associa a poesia ao acesso à verdade e à construção
da virtude, em diálogo constante com a tradição clássica. A pesquisa ressalta que, no humanismo do Trecento e do Quattrocento, o poeta não se restringe ao papel de literato, mas assume função pública e pedagógica, difundindo ideais
republicanos e educando cidadãos. A dualidade entre res e verba, central no pensamento do Chanceler, demonstra que a palavra não é mero ornamento, mas veículo do conhecimento. A poesia, ao lado da oratória, aparece como meio de
mobilizar consciências, edificar a vida civil e recuperar a herança da antiguidade latina, configurando-se como eixo do projeto dos studia humanitatis. Assim, a defesa salutatiana da poesia articula gramática, estética, moral e política, reafirmando sua capacidade de transmitir saberes profundos e de transformar a realidade social, ao mesmo tempo em que projeta o poeta-humanista como artífice do mundo e modelo de virtude. 

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Publié-e

2026-07-16