Sexualidade e materialismo dialético em Fassbinder: reflexões filosóficas a partir de O direito do mais forte é a liberdade (1975)
Résumé
Rainer Werner Fassbinder (1945-1982), roteirista, dramaturgo, ator e diretor de cinema alemão, certa vez afirmou, numa entrevista concedida à Hans Günther Pflaum em 1974, que “Mais cedo ou mais tarde os filmes devem deixar de ser filmes, deixar de ser estórias para se tornarem reais, de modo que nos perguntemos o que isto tem a ver exatamente com nosso caso, com nossa vida.” (Fassbinder, 1988 [1974], p. 30). O que permanece a partir de algo que foi assistido em um filme resulta em uma experiência
única para cada pessoa, e não é incomum observarmos que quando assistimos novamente um filme estimado nossos sentimentos em relação a ele frequentemente se modificam: ou porque já não somos a mesma pessoa de antes e tal filme já não se comunica mais com o nosso íntimo, ou porque o filme cresceu e ganhou significados diferentes, mais profundos. Em todo caso, o perpassamento do filme sobre nossos corpos não termina quando o terminamos de assistir. Essa construção faz com que nos deparemos não somente com um filme, mas diversos. Nossa percepção a partir do que foi visto e em que situações tivemos o contato com tal obra revela que em um filme nunca há um ponto final: se nos é dada é dada uma licença poética, diríamos que um filme carrega reticências…
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