No coração da sala de aula: tensões geradas nas relações de gênero no trabalho de mulheres docentes

Autores

DOI:

https://doi.org/10.28998/2175-6600.2026v18n40.18754

Palavras-chave:

mulheres docentes, relações de poder, formações discursivas

Resumo

Nosso objetivo nesta pesquisa é analisar as tensões de gênero que emergem das relações entre docentes mulheres e discentes nas salas de aulas de uma Instituição de Ensino Superior Pública. Adotando a abordagem qualitativa, optamos pela realização de entrevistas semiestruturadas com docentes mulheres de uma universidade pública federal, as quais foram analisadas com o apoio da análise foucaultiana. Os resultados apontam que, nas relações entre docentes mulheres e discentes em sala de aula, certas linhas de forças que atravessam a prática do exercício de carreira docente tornam esse espaço generificado, onde as experiências vividas se revelam diferentes para homens e mulheres.

Downloads

Não há dados estatísticos.

Referências

BOURDIEU, P. O campo científico. In: ORTIZ, Renato (org.). Pierre Bourdieu: Sociologia. São Paulo: Ática, 1983. p. 122-155.

BOURDIEU, P. Razões práticas: sobre a teoria da ação. São Paulo: Papirus Editora, 1996.

BOURDIEU, P. A Dominação Masculina. Rio de Janeiro: Bertrand, 2002.

BRASIL. Ministério da Educação. Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep). Microdados do Censo da Educação Superior 2019. Brasília, DF, 2020. https://www.gov.br/inep/pt-br/areas-de-atuacao/pesquisas-estatisticas-e-indicadores/censo-da-educacao-superior/resultados. Acesso em: 05, out., 2020.

BUTLER, Judith. Bodies that Matter. On the discursive limits of "sex". New York: Routledge, 1993.

BUTLER, J. Problemas de gênero: feminismo e subversão da identidade. Rio de janeiro: Civilização Brasileira, 2003.

CAMPOS, R. C.; SILVA, K. A.T.; MIRANDA, A.R. A.; CAPELLE, M. C. A. Gênero e empoderamento: Um estudo sobre mulheres gerentes nas universidades. Revista Latino Americana de Geografia e Gênero, v, 8, n. 2, p. 97-115, 2017.

CAPPELLE, M. C. A.; MELO, M. C. de. O. L.; BRITO, M. J. M.; BRITO, M. J. de. Uma análise da dinâmica do poder e das relações de gênero no espaço organizacional. RAE-eletrônica, v.3, n. 2, p. 1-17, 2004

CAPPELLE, M. C. A.; MELO, M. C. de. O. L.; BRITO, M. J. de. Relações de poder segundo Bourdieu e Foucault: uma proposta de articulação teórica para a análise das organizações. Organizações rurais & agroindustriais, v. 7, n. 3, p. 356-369, 2005.

CHERKOWSKI, S.; BOSETTI, L. Behind the Veil: Academic Women Negotiating Demands of Femininity. Women's Studies International Forum, v. 45, p. 19–26, 2014.

CLEGG, S. Academic identities under threat? British Educational Research Journal, v. 34, n. 3, p. 329–345, 2008.

DAVIES, B.; GANNON, S. Feminism/poststructuralism. In: B. SOMEKH; C. LEWIN (Eds.), Research methods in the social sciences, London: Sage, 2005. p. 318-325.

ECCEL, C. S.; GRISCI, C. L. L. Trabalho e gênero: a produção de masculinidades na perspectiva de homens e mulheres. Cadernos EBAPE. BR, v. 9, n. 1, p. 57-78, 2011.

FOUCAULT, M. Microfísica do poder. Rio de Janeiro: Graal, 1984.

FOUCAULT, M. O sujeito e o poder. In: DREYFUS, H.; RABINOW, P. Michel Foucault, uma trajetória filosófica. Rio de Janeiro: Forense Universitária, 1995. p. 231-249.

FOUCAULT, M. A ordem do discurso. São Paulo: Loyola, 1996.

FOUCAULT, M. Vigiar e punir: nascimento da prisão. Petrópolis, RJ: Vozes, 1999.

FOUCAULT, M. A ética do cuidado de si como prática da liberdade. In: Ditos & Escritos V - Ética, Sexualidade, Política. Rio de Janeiro: Forense Universitária, 2006.

FOUCAULT, M. A Arqueologia do Saber. Rio de Janeiro: Forense Universitária, 2008a.

FOUCAULT, M. Segurança, território, população. Curso no Collège de France (1977-1978). Tradução Eduardo Brandão. São Paulo: Martins Fontes, 2008b.

FOUCAULT, M. O Governo de Si e dos Outros. Curso no Collège de France (1982-1983). São Paulo: Martins Fontes, 2010.

FRANCO, S. M.; LEÃO, A. L. M. de S.. Para os súditos de Momo, tradição é lei: Governo e verdade na organização do Carnaval de Olinda. Organizações & Sociedade, v. 26, n. 91, p. 621-644, 2019.

GLOBAL EDUCATION MONITORING REPORT TEAM. Education for all 2000-2015: Achievements and Challenges. Paris, France: United Nations Educational Scientific and Cultural Organization, 2015. 499 p. Disponível em: https://unesdoc.unesco.org/ark:/48223/pf0000232205. Acesso em: 10 out. 2020.

GRAY, D. E. Pesquisa no mundo real. Porto Alegre: Penso Editora, 2012.

GURGEL, A.; HENAUT, L.; MENDES, M.; WANICK, V. Exposição: 20 cientistas brasileiras que fizeram história. Abep, 2018. Disponível em: https://abepuk.wordpress.com/20-cientistas-brasileiras. Acesso em: 04 abr. 2020.

HALL, Stuart. A identidade cultural na pós-modernidade. Rio de Janeiro: DP&A, 2006.

HARFORD, J. The perspectives of women professors on the professoriate: A missing piece in the narrative on gender equality in the university. Education Sciences, v. 8, n. 2, p. 1-17, 2018.

KAZANDJIAN, R.; KOLOVICH, L. K.; KOCHHAR, K.; NEWIAK, M. Gender equality and economic diversification. Social Sciences, v. 8, n.4, p. 1-24, 2019.

LAPPALAINEN, S.; LAHELMA, E.; PEHKONEN, L.; ISOPAHKALA-BOURE, U. Gender Neutralities, Dichotomies and Hidden Inequalities: Analysis of Vocational Teachers’ Reflections on Gender in the Profession. Vocations and Learning, v. 5, p. 297-311, 2012.

LEÃO, A. L. M. de. S.; MOURA, B. Temos que pegar todos!-Discursos identitários sobre o consumo de Pokemon GO no Brasil. Revista Brasileira de Marketing, v. 17, n. 6, p. 895-913, 2018.

LESLIE, S.; CIMPIAN, A.; MEYER, M.; FREELAND, E. Expectations of Brilliance Underlie Gender Distributions Across Academic Disciplines. Science, v. 347, n. 6219, p. 262-265, 2015.

LIPTON, B. A new ‘ERA’of women and leadership: The gendered impact of quality assurance in Australian higher education.The Australian Universities' Review, v. 57, n. 2, p. 60-70, 2015.

LÓPEZ, M. V. O conceito de experiência em Michel Foucault. Revista Reflexão e Ação, v. 19, n. 2, p. 42-55, 2011.

LOURO, G. L. Gênero, sexualidade e educação. Petrópolis: Vozes, 1997.

MANG, C. F. Earnings differences among senior university administrators: Evidence by gender and academic field. Canadian Journal of Higher Education. v. 49, n. 3, p. 24-40, 2019.

MOMANI, B.; DREHER, E.; WILLIAMS, K. More than a pipeline problem: Evaluating the gender pay gap in Canadian academia from 1996 to 2016. Canadian Journal of Higher Education, v. 49, n. 1, p. 1-21, 2019.

MORGADO, A. P. D. V.;TONELLI, M. J. Mulheres executivas: o velho e o novo nos estudos sobre gênero e trabalho. In: CARRIERI, A. D. P.; TEIXEIRA, J. C.; NASCIMENTO, M. C. R. (org.) Gênero e trabalho: perspectivas, possibilidades e desafios no campo dos estudos organizacionais. Salvador: Edufba, 2016. p. 159-211.

MORLEY, L. Oportunidade ou exploração? As mulheres e a garantia de qualidade no ensino superior. Gênero e Educação, v. 17, n. 4, pág. 411-429, 2005.

NIELSEN, H. B.; DAVIES, B. Formation of gendered identities in the classroom. In: S. Wortham, D. Kim & S. May, Discourse and education, The Netherlands: Springer. v.3, p. 135-145, 2017.

OGBOGU, C. O. Gender Inequality in Academia: Evidences from Nigeria. Contemporary Issues in Education Research, v. 4, n. 9, p. 1-8, 2011.

PERISSINOTTO, R. História, sociologia e análise do poder. História Unisinos, n. 11, n. 3, p. 313-320, 2007.

PETERSON, H. Is managing academics “women’s work”? Exploring the glass cliff in higher education management. Educational Management Administration & Leadership, v. 44, n. 1, p. 112-127, 2016.

SANTOS, J. V. P. dos.; CARRIERI, A. de. P. A desconstrução do sujeito na relação entre o pós-estruturalismo e a analítica queer. Revista Sociais e Humanas, v. 28, n. 3, p. 8-22, 2015.

SCHIITZ, L. W.; MARTINEZ, L. da S.; SALVA, S. “Ela gosta mais dos carros do que das bonecas”: identidades de gênero no contexto escolar. Debates em Educação, [S. l.], v. 12, n. Esp2, p. 138–157, 2020.

SCOTT, J. Gênero: uma categoria útil de análise histórica. Educação e Realidade. v. 20, n. 2, p. 9-255, 1995.

SOUZA, E. M. A abordagem pós-estruturalista sobre gênero. In: CARRIERI, A. D. P.; TEIXEIRA, J. C.; NASCIMENTO, M. C. R. (org.). Gênero e trabalho: perspectivas, possibilidades e desafios no campo dos estudos organizacionais. Salvador: Edufba, 2016. p. 23-55.

TJOMSLAND, M. Women in Higher Education: A Concern for Development?. Gender, technology and development, v. 13, n. 3, p. 407-427, 2009.

VIANNA, C. P. O sexo e o gênero da docência. Cadernos pagu, p. 81-103, 2002.

TEELKEN, C.; TAMINIAU, Y.; ROSENMÖLLER, C. Career mobility from associate to full professor in academia: micro-political practices and implicit gender stereotypes. Studies in Higher Education, v. 46, n. 4, p. 836-850, 2021.

TAYLOR, C. A.; et al. Grim tales: meetings, matterings and moments of silencing and frustration in everyday academic life. International Journal of Educational Research, Netherlands, v. 99, 101513, 2020.

Downloads

Publicado

2026-03-19

Como Citar

FERREIRA, Leticia Gracielle Vieira; OLIVEIRA, Cintia Rodrigues de. No coração da sala de aula: tensões geradas nas relações de gênero no trabalho de mulheres docentes. Debates em Educação, [S. l.], v. 18, n. 40, p. 1–27, 2026. DOI: 10.28998/2175-6600.2026v18n40.18754. Disponível em: https://periodicos.ufal.br/debateseducacao/article/view/18754. Acesso em: 5 abr. 2026.

Edição

Seção

Artigos

Artigos mais lidos pelo mesmo(s) autor(es)