Trabalho formal e raça/cor no turismo brasileiro
uma análise das Atividades Características do Turismo
DOI:
https://doi.org/10.28998/ritur.V16.N1.A2026.pp103-123.20587Palavras-chave:
Turismo, Mercado de Trabalho, Desigualdades raciais, Raça/cor, Atividades Características do TurismoResumo
O mercado de trabalho no turismo brasileiro caracteriza-se por baixos níveis de remuneração e por desigualdades estruturais historicamente constituídas. Este artigo analisa as desigualdades de cor/raça no mercado de trabalho formal do turismo, com foco nas Atividades Características do Turismo (ACTs), investigando se pessoas negras (pretas e pardas) recebem rendimentos inferiores aos de pessoas não negras e em quais atividades essas disparidades se mostram mais acentuadas. A pesquisa possui caráter descritivo e baseia-se em dados secundários da Relação Anual de Informações Sociais (RAIS), referentes ao ano de 2024, disponibilizados pela plataforma do Observatório Nacional do Turismo. A análise contempla a composição racial da força de trabalho formal, sua distribuição regional, bem como as diferenças de remuneração média e de tempo de emprego segundo cor/raça. Os resultados evidenciam que pessoas negras apresentam rendimentos sistematicamente inferiores em todas as ACTs, sendo o hiato salarial mais profundo registrado no transporte aéreo — segmento que, simultaneamente, apresenta a menor representação desse grupo. Em contrapartida, os setores de alojamento e alimentação, que compõem o núcleo do turismo juntamente com o transporte aéreo e concentram os maiores volumes de emprego, possuem uma força de trabalho majoritariamente negra e figuram, paradoxalmente, entre os segmentos que oferecem as menores remunerações médias. Ancorado nos estudos críticos em turismo, o artigo evidencia como essas desigualdades refletem relações de poder racializadas e heranças históricas que estruturam o mercado de trabalho brasileiro. Por fim, destaca-se que a análise se restringe ao trabalho formal, não contemplando o trabalho informal — dimensão expressiva do setor —, o que sugere que as desigualdades raciais aqui identificadas tendem a ser ainda mais profundas quando consideradas as múltiplas formas de inserção laboral no turismo.
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