ENSINO DE ARQUEOLOGIA NO PIAUÍ: PROVOCAÇÕES DECOLONIAIS A PARTIR DOS CURSOS DE GRADUAÇÃO
Resumo
Nesse trabalho, buscamos analisar o surgimento e desdobramentos das graduações em Arqueologia no estado do Piauí, particularmente os cursos de Arqueologia e Preservação Patrimonial da Universidade Federal do Vale do São Francisco (Univasf), em São Raimundo Nonato e de Arqueologia e Conservação de Arte Rupestre da Universidade Federal do Piauí (UFPI), em Teresina. Nosso interesse com a empreitada é evidenciar as transformações nas formas de fazer e ensinar a Arqueologia, considerando suas repercussões nos processos de produção de conhecimento. Para isso, partiremos dos contextos históricos e políticos relacionados com as propostas de expansão do ensino superior, com a interiorização das universidades, a aplicação da Lei de Cotas e o ingresso de novos públicos no espaço acadêmico. No exame desses quadros, temos nos pautado em referenciais da crítica decolonial, entendida como uma vertente teórica e metodológica fruto de um movimento político de resistência e ruptura epistemológica às práticas e teorias coloniais, ocidentais, modernas e eurocêntricas. Tal postura nos permite problematizar quais sentidos de Arqueologia estão sendo produzidas nesses contextos acadêmicos, em termos de teorias, métodos e posicionamentos políticos explicitamente adotados? A expansão do ensino superior culminou de fato em processos mais democráticos de produção de conhecimento, considerando as transformações no perfil de cursos, discentes e docentes? Para respondermos a essas questões temos empreendido levantamentos bibliográficos e documentais, focados na coleta e tratamento de informações sobre a Univasf e a UFPI: os trabalhos de conclusão de curso, os perfis de docentes e discentes, assim como os Projetos Pedagógicos dos Cursos. Nessa direção, pudemos perceber uma expansão nas linhas de pesquisa voltadas para comunidades e diferentes construções patrimoniais, enfatizando temporalidades recentes, em contraponto às perspectivas mais atreladas com a ideia de um passado remoto, práticas de escavação e análises técnicas. Ao nosso ver, essas modificações vêm ocorrendo em razão de tensionamentos entre perspectivas teóricas e metodológicas, modelos de universidade e a entrada de estudantes de diversas origens no espaço acadêmico, com demandas e expectativas para além dos aspectos puramente científicos e positivistas do sistema educacional colonial. Frente este cenário, tem sido possível identificar possibilidades de desobediência epistêmica, que culminam no desenvolvimento de múltiplas arqueologias.
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