A Inadequação das teses de “Intolerância à dívida” e “Austeridade expansionista” para justificar a austeridade fiscal

Autores

  • Maria Isabel Busato UFRJ-Universidade Federal do Rio de Janeiro
  • João Lins de Almeida PUC-Rio

DOI:

https://doi.org/10.28998/repd.v16i35.19168

Palavras-chave:

Debt intolerance, Expansionary austerity, Fiscal austerity

Resumo

Este artigo tem como objetivo analisar a inadequação das teses da “Intolerância à dívida” e da “Austeridade fiscal expansionista” como justificativas para a adoção de políticas de austeridade fiscal em períodos de crise econômica. No contexto brasileiro, essas teses surgiram no debate público e midiático durante a pandemia de Covid-19, quando o país enfrentava uma necessidade urgente de intervenção fiscal. Nesse cenário, as teses defendidas por parte da ortodoxia econômica, que tradicionalmente se posiciona como defensora das “finanças saudáveis”, foram empregadas para argumentar a favor da retomada do ajuste fiscal, mesmo em um momento de grave crise sanitária e econômica. A tese da intolerância à dívida foi, em nossa visão, inadequadamente aplicada à realidade brasileira, enquanto a teoria da austeridade expansionista, por sua vez, já havia sido amplamente questionada, tanto teórica quanto empiricamente. Pretende-se, assim, apresentar e discutir criticamente o uso daquelas teses para a defesa da retomada da austeridade, com destaque para a forma como foram utilizadas no Brasil durante a Pandemia do COVID-19

Downloads

Não há dados estatísticos.

Biografia do Autor

Maria Isabel Busato, UFRJ-Universidade Federal do Rio de Janeiro

Professora do Instituto de economia da UFRJ
Membra do Grupo de Dinâmica Econômica/GDE e do GESP/IE-UFRJ.

João Lins de Almeida, PUC-Rio

Mestrando PUC-Rio

Referências

ALESINA, A.; ARDAGNA, S. Large changes in fiscal policy: taxes versus spending. Tax Policy and the Economy, v. 24, n. 1, p. 35-68, 2010.

ALESINA, A.; FAVERO, C.; GIAVAZZI, F. Austerity: when it works and when it doesn't. Princeton: Princeton University Press, 2019. Disponível em: https://libgen.lc.

ALESINA, A.; FAVERO, C.; GIAVAZZI, F. The output effect of fiscal consolidations. Cambridge: National Bureau of Economic Research, 2012. (Working Paper, n. 18336). Disponível em: https://www.nber.org/system/files/working_papers/w18336/w18336.pdf.

ALESINA, A.; FAVERO, C.; GIAVAZZI, F. What do we know about the effects of austerity? AEA Papers and Proceedings, v. 108, p. 524-530, 2018.

ALESINA, A.; ARDAGNA, S.; PEROTTI, R.; SCHIANTARELLI, F. Fiscal policy, profits, and investment. The American Economic Review, v. 92, n. 3, p. 571-589, 2002.

BARRO, R. J. Are government bonds net wealth? Journal of Political Economy, v. 82, n. 6, p. 1095-1117, 1974.

BARRO, R. J. The Ricardian approach to budget deficits. Journal of Economic Perspectives, v. 3, n. 2, p. 37-54, 1989.

BATINI, N. et al. Fiscal multipliers: size, determinants, and use in macroeconomic projections. Washington, DC: International Monetary Fund, 2014. (Technical Notes and Manuals, 14/04). Disponível em: https://www.imf.org/external/pubs/ft/tnm/2014/tnm1404.pdf. Acesso em: 30 jan. 2025.

BERNANKE, B. The economic outlook. Depoimento perante a Comissão do Orçamento da Câmara dos Deputados dos EUA, jan. 2008. Disponível em: https://www.federalreserve.gov/newsevents/testimony/bernanke20080117a.htm.

BLANCHARD, O.; FELMAN, J.; SUBRAMANIAN, A. Does the new fiscal consensus in advanced economies travel to emerging markets? Washington, DC: Peterson Institute for International Economics, mar. 2021.

BLANCHARD, O.; LEANDRO, A.; ZETTELMEYER, J. Redesigning EU fiscal rules: from rules to standards. Economic Policy, v. 36, n. 106, p. 195-236, 2021.

BUSATO, M. I. Ricardian equivalence revisited: introductory notes. Brazilian Journal of Political Economy, v. 42, n. 1, p. 113-127, 2022. DOI: https://doi.org/10.1590/0101-31572021-3235.

BUSATO, M. I.; MONTANI, N. Multiplicadores fiscais no Brasil: entre consensos e dissensos. Revista de Economia Contemporânea, v. 28, p. e242803, 2024.

CARDOSO, D. et al. Pandemia de COVID-19 e famílias: impactos da crise e da renda básica emergencial. Nota de Política Social, 2021. Disponível em: https://repositorio.ipea.gov.br/bitstream/11058/10820/1/BPS_28_nps2_pandemia_covid19_fam%C3%ADlias.pdf.

CUNLIFFE, J. Financial stability post Brexit: risks from global debt. Discurso proferido no CFO Agenda, Londres, 7 maio 2019. Bank of England. Disponível em: https://www.bankofengland.co.uk/-/media/boe/files/speech/2019/financial-stability-post-brexit-risks-from-global-debt-speech-by-jon-cunliffe.pdf.

DWECK, E. et al. Impacto da austeridade sobre o crescimento e a desigualdade no Brasil. In: XXIII Encontro Nacional de Economia Política, 2018. Anais [...]. v. 23, p. 1-17.

FATÁS, A.; SUMMERS, L. The permanent effects of fiscal consolidations. Cambridge: National Bureau of Economic Research, 2016. (Working Paper, n. 22374). Disponível em: http://www.nber.org/papers/w22374.

GERALDINI, B.; JUSTUS, M. Impacto do auxílio emergencial na renda do trabalho: proteção social como política anticíclica na pandemia da Covid-19. Campinas: UNICAMP/IE, 2025. (Texto para Discussão, n. 475). Disponível em: https://www.eco.unicamp.br/images/arquivos/artigos/TD/TD475.pdf.

GIAVAZZI, F.; PAGANO, M. Can severe fiscal contractions be expansionary? Tales of two small European countries. Cambridge: National Bureau of Economic Research, 1990.

HERNDON, T.; ASH, M.; POLLIN, R. Does high public debt consistently stifle economic growth? A critique of Reinhart and Rogoff. PERI Working Paper, n. 322, apr. 2013.

IMF. Fiscal Monitor: a fair shot. Washington, DC: International Monetary Fund, abr. 2021. Disponível em: https://www.imf.org/en/Publications/FM/Issues/2021/03/29/fiscal-monitor-april-2021.

JAYADEV, A.; KONCZAL, M. The boom not the slump: the right time for austerity. Economics Faculty Publication Series, 2010.

KYDLAND, F. E.; PRESCOTT, E. C. Rules rather than discretion: the inconsistency of optimal plans. Journal of Political Economy, v. 85, n. 3, p. 473-492, 1977.

LOPES, A. Testando teorias para o consumo agregado no Brasil. Nova Economia, v. 27, n. 1, p. 35-62, jan./abr. 2017. Disponível em: https://www.scielo.br/j/neco/a/jhrqCyvzyVBHLnMmCj6XVtb/?lang=pt.

MATSUOKA, H. Debt intolerance: threshold level and composition. Washington, DC: World Bank, 2020. (Policy Research Working Paper, n. 9276). Disponível em: https://openknowledge.worldbank.org/handle/10986/33906.

MEI, Y. U.S. consumption function: an empirical test of the life-cycle hypothesis. Hartford: Trinity College, 2012.

MONTANI, N.; BUSATO, M. I. A pandemia de Covid-19 e a política fiscal: o que há de novo na visão do mainstream? Nova Economia, v. 33, n. 1, 2023. Disponível em: https://revistas.face.ufmg.br/index.php/novaeconomia/article/view/7378.

MORENO-BRID, J. C. On capital flows and the balance-of-payments constrained growth model. Journal of Post Keynesian Economics, v. 21, n. 2, p. 283-298, 1998/1999.

ORSZAG, P. R.; RUBIN, R. E.; STIGLITZ, J. E. Fiscal resiliency in a deeply uncertain world: the role of semiautonomous discretion. Industrial and Corporate Change, v. 31, n. 2, p. 281-300, 2022.

PASTORE, A. C. Recuperação econômica e a política monetária. Webinar promovido pelo FGV IBRE, 8 set. 2020. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=6nsLFLqCM6E.

PESSOA, S. O papel do Estado na economia. Webinar promovido pelo FGV IBRE, 22 out. 2020. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=hsZZ_AjHLc4.

PIRES, M. Política fiscal e ciclos econômicos no Brasil. Economia Aplicada, v. 18, n. 1, p. 69-90, 2014.

REINHART, C. M.; ROGOFF, K. S.; SAVASTANO, M. Debt intolerance. NBER Working Paper, n. 9908, 2003.

REINHART, C. M.; ROGOFF, K. S. Growth in a time of debt. Cambridge: National Bureau of Economic Research, 2010a. (Working Paper, n. 15639). Disponível em: https://www.nber.org/papers/w15639.

REINHART, C. M.; ROGOFF, K. S. Growth in a time of debt. American Economic Review: Papers & Proceedings, v. 100, n. 2, p. 573–578, 2010b.

REINHART, C. M.; ROGOFF, K. S. Responding to our critics. The New York Times, 25 abr. 2013. Op-Ed Contributors.

ROMER, C.; ROMER, D. The macroeconomic effects of tax changes: estimates based on a new measure of fiscal shocks. American Economic Review, v. 100, n. 3, p. 763-801, 2010.

SACHSIDA, A. Prorrogar auxílio pioraria situação dos mais pobres. Entrevista ao UOL, 5 jan. 2021. Disponível em: https://economia.uol.com.br/noticias/redacao/2021/01/05/prorrogar-auxilio-pioraria-situacao-dos-mais-pobres-diz-secretario.htm.

SANDBU, M. Há um novo consenso de Washington, e ele é bem menos fiscalista. Valor Econômico, abril 2021. Disponível em: https://valor.globo.com/mundo/noticia/2021/04/12/ha-um-novo-consenso-de-washington-e-ele-e-bem-menos-fiscalista.ghtml.

SOUZA JR., J. R.; CAVALCANTI, M.; LEVY, P. Visão geral de conjuntura. Carta de Conjuntura – IPEA, n. 47, 2º trim., 2020.

THIRLWALL, A. P.; HUSSAIN, N. The balance of payments constraint, capital flows and growth rate differences between developing countries. Oxford Economic Papers, v. 34, p. 498-510, 1982.

Downloads

Publicado

2026-07-30

Edição

Seção

Artigos