O cotidiano escolar: suas significações no processo de militarização das escolas públicas
DOI:
https://doi.org/10.28998/2175-6600.2026v18n40.20559Palavras-chave:
militarização escolar, cotidiano escolar, gestão democrática, controle socialResumo
O artigo analisa os significados do cotidiano escolar no processo de militarização das escolas públicas brasileiras, destacando como as práticas e linguagens institucionais se transformam sob a lógica da “escola-quartel”. A partir de referenciais como Foucault (1987), Freire (1996), Santos (2023), Sousa Santos (2018) e Certeau (1994), e utilizando a Análise Dialógica do Discurso de Bakhtin (2016), os autores buscam compreender como os Regulamentos Disciplinares (RDs) influenciam o ambiente escolar e suas interações. Evidenciamos que a militarização não se limita a um modelo de gestão, mas representa um processo que nega o princípio da gestão democrática, reforçando desigualdades educacionais e sociais, e convertendo a escola em instrumento de controle social. Além disso, aponta-se para questões estruturais, como o déficit de recursos e pessoal tanto nas escolas públicas quanto nas instituições militares, problematizando a transferência de militares para funções educacionais em detrimento de suas atribuições originais. O fenômeno da militarização é impulsionado por discursos de excelência, disciplina e segurança, especialmente em contextos de instabilidade política e avanço de políticas neoliberais e neoconservadoras, que impactam principalmente as camadas mais vulneráveis da sociedade. Assim, o artigo propõe uma reflexão crítica sobre o papel da escola, os efeitos da militarização e os desafios para garantir uma formação cidadã e inclusiva.
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