Estrutura fundiária, disputas territoriais e protagonismo da agricultura camponesa na produção de alimentos nos Sertões de Crateús-Ceará-Brasil
DOI:
https://doi.org/10.28998/contegeo.11i.26.21202Parole chiave:
Concentração Fundiária, Agricultura familiar, Agronegócio, LatifúndioAbstract
Desde o processo colonial, dois setores estruturam-se ao longo da formação territorial capitalista brasileira: um setor latifundiário produtor de bens exportáveis e outro de gêneros alimentícios para a sociedade local, em uma lógica econômica de subordinação do segundo setor ao primeiro. Trata-se de uma dinâmica que adentrou o século XXI, materializada no modelo do agronegócio e nas diversas formas de agricultura familiar camponesa. Este artigo tem como objetivo discutir a territorialização destes dois setores no espaço agrário cearense, a partir da análise da produção agropecuária de alimentos, o que exige um olhar para a estrutura fundiária e, consequentemente, levará as disputas territoriais na microrregião dos Sertões de Crateús, uma fração territorial importante para a economia do estado do Ceará. Metodologicamente, desenvolve-se uma reflexão fundamentada na crítica de autores da questão agrária nacional e amparada nos dados oficiais do Censo Agropecuário de 2017 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Conclui-se que os micros estabelecimentos agropecuários são mais produtivos em detrimento dos grandes estabelecimentos. Enquanto aqueles são responsáveis pela ampla parte da produção agropecuária, estes funcionam como reserva de valor ou reserva patrimonial, concentrando terra, poder e perpetuando o rentismo do capitalismo à brasileira, com consequências negativas profundas para o conjunto da sociedade do semiárido cearense nos Sertões de Crateús.
Palavras-chave: Concentração de terra; Produção de alimentos; Agronegócio; Agricultura familiar camponesa; Sertões de Crateús
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